Hoje decidi publicar um texto que escrevi no 2º semestre de 2006, quando eu estava no 2º colegial.
Era um trabalho de redação que consistia em fazer uma paráfrase de um poema de Vinícius de Moraes. É meu orgulho. Minha única nota 10 de todo o colegial, mas creio que um 10 merecido.
Lembro-me de ter me inspirado em uma série de músicas para compor essa redação, porém a minha inspiração máxima foi com o álbum "Dead Letters" da banda The Rasmus. Não com as músicas, mas com o próprio nome do álbum e uma pequena descrição que os integrantes fizeram sobre o que seriam "Cartas Mortas". Essa descrição, inclusive, está na coluna ao lado, escrita exatamente como está no encarte do CD.
Bem, não sei se fiz uma boa paráfrase, mas acho que escrevi um bom texto.
Obs.: O texto foi escrito com o eu-lírico masculino para acompanhar o poema de Vinícius de Moraes.
Novamente: Não copie esse texto! Não o publique em qualquer outro lugar!
CARTA MORTA
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_______Essa carta que escrevo, às vésperas de teu retorno, é a melhor forma que encontro para expressar os sentimentos reprimidos e, ao mesmo tempo, para tentar ocultar a sombra em mim suspensa pelo martírio da lembrança que a distância criou entre nós.
_______Amar-te-ei novamente, mas não tão intensamente quanto antes, antes de tua sorrateira fuga, antes da ganância ter-te obrigado a cometer a injúria de abandonar-me.
_______Beijar-te-ei novamente, após tanto tempo, todavia creio que as lágrimas, tanto as minhas quanto as tuas, não me deixarão esquecer a mágoa que o tempo não pôde apagar, pois ela, dissimuladamente, atrelou-se à fraqueza de minha medíocre condição humana.
_______Não, não tentarei esquecer o que vivi lembrando...
_______Mas, o que farei da antiga mágoa quando uma simples lembrança levar-me ao pranto, fazendo-me soluçar e contorcer-me para tentar arrancar o vazio que há de surgir em mim?
_______Será que o tempo e a distância tornaram-te tão fria que agora me queres de volta como se o mundo tivesse parado no momento em que viraste as costas sem ao menos dizer-me adeus?
_______Sinto-me tão confuso...
_______Não sei como dizer-te que meu amor não é mais o mesmo e que te quero longe, pois aprendi a amar-te à distância. Contudo, ainda sofro com o desejo de poder tocar-te novamente e sentir o calor de teu corpo.
_______Amo-te, porém queria eu estar ainda amando aquela imagem tua que compus serena, a imagem que hei de procurar em teus olhos sem nunca encontrá-la.
_______Pergunto-me se tu me amas de verdade, mas temo a resposta, por isso peço-te que queimes esta carta.
_______Sim, deixe-a morrer, deixe-a queimar, para que as dolorosas lembranças tornem-se cinzas e fiquem adormecidas até que a nossa história se repita e esta carta ganhe vida nas mãos de outro humano medíocre, caído cego de amor por alguém que sempre o fará sofrer.
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escrito por: Cris "Ylönen" Hashizume
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Texto que escrevi há praticamente 3 anos, mas que só agora vejo e compreendo o quanto ele pode ser real.
Abaixo colocarei o poema de Vinícius de Moraes que foi usado como base para essa redação.
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SONETO DE VÉSPERA
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Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto esperar, que te direi?
E da angústia amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que teu beijo de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer porque chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria da vida
Imagem tua que compus serena
Atenda ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
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escrito por Vinícius de Moraes